Fonte: Folha online
autor: Jânio de Freitas
- A eleição de Fernando Collor para presidir a Comissão de Infraestrutura do Senado e o artifício de Renan Calheiros que fez esta vitória formam um fato muito positivo, em duas direções. Para a maioria que precisa de grandes aberrações para dar-se conta da realidade - arrastão em praia, invasões urbanas pelo PCC e outros, para admitir o nível de criminalidade -, a vitória de Collor/Renan vem demonstrar que a degradação do Senado e Câmara não é exagero dos críticos: nela germina uma ameaça nebulosa de acontecimentos, não necessariamente de origens militar, imprórios para o regime democrático. Seja como for, que a crescente degradação não levará a um bom resultado, não levará mesmo.
De outra parte, a vitória de Collor, no voto, contra a petista Ideli Salvatti, comprova e castiga o fisiologismo barato a qual o PT se entregou, no servilismo sem limite ao governo e à “base governista”. Quando se iniciaram as revelações sobre alguns métodos de Renan Calheiros, como o pagamento de pensão de sua filha pelo lobista de uma empreiteira, o PT alinhou-se logo ao PMDB na defesa do então presidente do Senado e em acusações ao trabalho jornalístico. À frente desta infantaria petista, a senadora Ideli Salvatti, autora, já no início da Comissão de Ética, da exaltada proposta de vetar alí mesmo qualquer propósito investigatório.
Renan Calheiros retribuiu a solidariedade de Ideli Salvatti e do PT, a seus feitos, articulando agora as espertezas que a derrotaram. Ideli Salvatti, o PT e Renan Calheiros continuam aliados.
Nenhum comentário:
Postar um comentário