Celso Machado para o Correio de Uberlândia
Paixão quando é paixão de verdade, por mais que tentamos expressá-la, sempre fica faltando transmitir a dimensão do que ela representa em nossa vida.
Porque a riqueza do vocabulário é sempre diminuta em relação à intensidade dos sentimentos verdadeiros. Até porque amar não é um sentimento para se explicar nem justificar; é para sentir, para vivenciar.
Assim é o sentimento de quem gosta da sua cidade, seja porque nela nasceu, seja porque foi ela que escolheu para viver. A vontade de retribuir tudo que dela recebeu e continua recebendo. Tentar manter e cuidar de tudo de bom que ela tem e lutar com todas as forças para diminuir e, se possível, extinguir os seus aspectos mais críticos.
Claro que toda cidade, pela própria complexidade de abrigar pessoas de índoles, condições e necessidades diferentes, tem inúmeros problemas e, principalmente, à medida que ela cresce, eles se potencializam e propagam.
Uberlândia não é diferente. Minha querida terra natal perdeu muito do seu encanto de cidade jardim. Foi o preço do progresso que, na sua dinâmica, nem sempre atentou para uma visão maior, mais humana, mais integrada, mais harmoniosa. Infelizmente tem muita gente que no coletivo só entra com a parcela de usufruir, de tirar, de usar. Porque nem todos que nela habitam concordam com a necessidade de contribuir para sua contínua melhoria.
Mas é a minha querida cidade. Que me proporcionou uma história de vida da qual me orgulho e que gosto de compartilhar com quem convivo. Que me deu tantos e tão queridos amigos. Muitos deles que não conheço e, certamente, nunca conhecerei, mas que me acompanham nas minhas diferentes atividades.
E a quem tento não retribuir, porque a dívida é impagável, mas pelo menos agradecer, principalmente, por meio do resgate e preservação de sua identidade.
Parabéns pelo seu aniversário, minha querida Uberlândia. Que não é só minha, mas de todos nós que a escolhemos para amar, viver e servir.