domingo, 5 de abril de 2009

DIET POLÍTICA!


fonte:ex-blog de Cesar Maia

1. Diet Política é um estilo de política que mantém sempre os governos, partidos e políticos afastados da população, sem contatos diretos (incluindo como diretos, os eletrônicos, que são hoje instrumento de democracia direta). São dois vetores principais constituintes da Diet Política. O primeiro vetor é a redução da política à questão parlamentar, criando um mundo virtual em que o eleitor é mero expectador. Forma-se um triângulo entre governo, oposição e imprensa, com esta intermediando e definindo a relevância dos assuntos.

2. O segundo vetor da Diet Política é tratar a imagem do político (governo/partidos) apenas no campo da publicidade. Com isso, o eleitor passa a ser visto como a média usada pelas TVs para conseguir audiência, uma espécie de genérico.

3. A opinião pública se forma (Gabriel Tarde, aqui já comentado) por fluxos de opinamento na base da sociedade, estimulados pelas informações recebidas de todos os tipos. A imprensa, especialmente a TV, pode acelerar muito esses fluxos no processo de formação de opinião pública. Mas sempre lembrando que a deflagração e o processo são horizontais. A TV trabalha com audiência, ou seja, com opinião já formada.

4. O processo de formação de opinião por fluxos de opinamentos pode ser acelerado e pode ser revertido, mas para isso é necessário que a ação se dê em cima desses fluxos. Se ocorre a cristalização dos mesmos, como opinião pública formada, a probabilidade de reversão é muito baixa e o tempo para isso indefinido, seja longo ou médio. Descristalizar opinião só com fatos novos efetivos, persistentes e proporcionalmente radioativos.

5. A dinâmica exclusivamente parlamentar e a publicidade não são capazes disso. A publicidade pode, certamente, acelerar o processo de formação de opinião, atuando sobre os fluxos existentes. Mas não é capaz de descristalizar opinião formada sem que ocorram fatos novos e contundentes para serem comunicados diretamente. A crise econômica de hoje seria um exemplo. Mas há que atuar nos fluxos de opinamento na base social, desvendando responsabilidades pelo grau da crise em nível local.

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