Opinião - Jornal Correio de Uberlandia
Em menos de cinco meses, a atual legislatura registrou episódios negativos com envolvimento de senadores e deputados. As investigações no Conselho de Ética da Câmara e no do Senado resultaram em nada. Nas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) houve simulações para dar algum tipo de satisfação à sociedade, mas o comportamento de alguns parlamentares continua o mesmo, sem medo de punição. O ex-presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) foi absolvido depois de um processo no Conselho de Ética da Casa por ter sido acusado de ter as contas pessoais pagas por um lobista. O ex-senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) renunciou por causa de denúncias que de que teria recebido, de forma irregular, R$ 2,2 milhões de um empresário.
Renan é hoje o líder do PMDB. Roriz prepara-se para retornar ao Senado em 2010. Na Câmara Federal, o deputado Juvenil Alves (sem partido-MG) foi preso na Operação Castelhana e acusado de ter praticado sonegação fiscal. Teve a sua diplomação suspensa pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), mas conseguiu reverter a decisão. Continuou na Câmara até ter o mandato recentemente cassado pelo TSE. A Operação Navalha na Carne, que apurou fraudes em licitações e desvio de verbas em obras públicas, envolveu três deputados. No lamentável episódio do “Mensalão”, 19 parlamentares foram processados por quebra de decoro. Só três tiveram o mandato cassado: José Dirceu (PT) José Genoino (PT) e Roberto Jefferson (PTB). No episódio das “Sanguessugas”, foram 67 as investigações abertas, das quais mais de 50 foram arquivadas com o término da legislatura. É nossa obrigação exigir que as instituições perenes que representam a sociedade brasileira – Congresso, Poder Executivo e Judiciário – possam reprimir o crime e atuar com ética, eficiência e transparência.
Para o senador Pedro Simon (PMDB-RS), "a culpa é da impunidade; ninguém é preso, ninguém é processado”. Depois do escândalo das passagens aéreas usadas por deputados em benefício de familiares e de amigos, a nossa decepção é grande diante do noticiário dos últimos dias. Sabemos que há exceções entre os parlamentares que nos representam, mas entendemos que as lideranças nacionais pecam por omissão. Diante da máxima secular que afirma: “Quem cala consente”, precisamos nos manifestar, exigir comportamentos éticos na política e nos preparar para, no momento adequado, separar o joio do trigo.
Rosalina Vilela
Nenhum comentário:
Postar um comentário